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A cada três jovens uma desenvolve problemas com a imagem corporal por conta do Instagram

Informação faz parte de ampla pesquisa interna do Facebook, que também revela que a rede social é muito poderosa para estimular comparação social entre usuários



por Pedro Strazza


O Instagram afeta negativamente a percepção do público jovem sobre o próprio corpo. A informação vem de pesquisas internas feitas pelo próprio Facebook, publicadas pelo Wall Street Journal na última terça-feira (14) e que pelo visto foram realizadas justamente para entender os efeitos da rede social de fotos no público menor de idade diante da possibilidade crescente do aplicativo ganhar uma versão infantil.


Os resultados, como é de se esperar, são bastante problemáticos. Além de indicar que o Instagram é muito poderoso na hora de estimular o que é definido como “comparação social” – superando com tranquilidade índices do tipo do TikTok e do Snapchat – o estudo da companhia revela que a plataforma tem um efeito devastador no público adolescente feminino, com uma a cada três jovens desenvolvendo problemas com a própria imagem corporal devido à exposição constante de imagens de corpos idealizados no app.


A partir daí o show de horrores vai longe, se desdobrando pela reunião de outros estudos conduzidos internamente ao longo dos últimos meses. De acordo com o Facebook, 40% dos usuários adolescentes do Instagram no Reino Unido e nos EUA começaram a se sentir pouco atraentes depois de começar a usar a rede social, enquanto em outro a maioria dos entrevistados da mesma faixa etária confirmou se sentir viciado em acessar o app a ponto de não ter o autocontrole para interromper essa rotina.


Um documento de 2019 ainda escreve que jovens “culpam o Instagram por aumentos na taxa de ansiedade e depressão”, uma reação descrita como “espontânea e consistente em todos os grupos” de conversa.


Como bem aponta o The Verge, os dados deixam uma imagem ainda mais questionável para a plataforma quando comparados ao histórico de declarações do Facebook sobre o tema – especialmente nos inquéritos do Senado estadunidense. O CEO Mark Zuckerberg e outros executivos da companhia na ocasião foram questionados pelo senador Richard Blumenthal sobre os efeitos do Instagram no público jovem, mas não deram qualquer um dos dados revelados esta semana com a justificativa de que gostariam de “promover um diálogo franco e aberto” em torno da questão. Os dados divulgados pelo WSJ podem ser lidos na íntegra aqui – se você tiver assinatura no jornal.



Conteúdo publicado originalmente em B9



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