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Crise hídrica e energética: especialista aponta as formas de driblar as bandeiras tarifárias

Robmilson Simões Gundim professor e coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Cruzeiro do Sul analisa o sistema fotovoltaico e avalia a energia solar como um bom investimento



Devido a crise energética e hídrica que o Brasil enfrenta, recentemente a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) oficializou a criação da Bandeira Escassez Hídrica, que substitui a Bandeira Vermelha 2. Com isso, a partir de setembro o valor da conta de energia passou a ser de R$ 14,20 a cada 100 kWh.


Mas afinal, o que são essas bandeiras tarifárias? Segundo a ANEEL, trata-se de um sistema que sinaliza aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. O funcionamento é simples: as cores das Bandeiras (verde, amarela ou vermelha) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração de eletricidade. Com as Bandeiras, a conta de luz fica mais transparente e o consumidor tem a melhor informação para usar a energia elétrica de forma mais consciente.


Segundo Robmilson Simões Gundim professor e coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Cruzeiro do Sul, essa medida é reflexo do baixo nível de armazenamento de água nos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, que correspondem por mais da metade da capacidade de geração do País.


“No inverno geralmente chove pouco e naturalmente reduz a quantidade de água nos reservatórios das hidrelétricas. Somado a isso tem-se o fato das mudanças climáticas causadas pela própria forma de sobrevivência e modelo de sociedade atual. Por isso, a necessidade e estímulo ao desenvolvimento de uma cultura voltada à uma matriz energética cada vez mais diversificada torna-se imprescindível”, explica o professor.


A atual bandeira estará em vigor até abril de 2022 e a economia neste momento é inevitável, tanto em relação aos orçamentos mensais, como nos desdobramentos e impactos da crise hídrica. Diante disso, o Engenheiro Robmilson aponta pequenas mudanças no dia a dia que podem ajudar na economia.


“Mudar hábitos não é fácil, mas banhos com tempos reduzidos é uma dica de ouro. Para auxiliar, o uso de cronômetro do celular estabelecendo um tempo máximo, por exemplo 6 min ou no tempo que considerar adequado, desde que seja um tempo menor do que o habitual. Outra dica, caso tenha freezer ou geladeira extra em subutilização, mantenha-o desligado e/ou ligue-o somente quando e se necessário. E a terceira sugestão é utilizar lâmpadas LED ao invés de lâmpadas incandescentes e halógenas”.


O especialista ainda aponta que quanto às alternativas para redução do consumo de energia elétrica, considerando o aquecimento de água um dos maiores pontos de consumo, uma das alternativas é a utilização do sistema denominando termosolar. No entanto, considerando todas as cargas elétricas, a instalação de um sistema de energia solar fotovoltaica já é uma solução viável atualmente.



Energia Solar – Sistema Fotovoltaico


A energia solar acaba ganhando ainda mais reconhecimento e uma estratégia para qualquer País. Para o especialista, o princípio de funcionamento de energia solar fotovoltaico está associado com a conversão de radiação solar em eletricidade. Isso se dá por meio das denominadas células solares fotovoltaicas, quando fótons presentes na luz se chocam com átomos de silício e provocam a movimentação de elétrons, as quais consequentemente geram eletricidade.


“A princípio qualquer casa pode receber esse sistema. Vale destacar que é muito importante analisar as condições da infraestrutura do telhado e das instalações elétricas. Devido a isso, o ideal é contratar empresas e profissionais especializados para que a instalação alcance os resultados esperados, atendendo aos requisitos legais e normas técnicas vigentes”.


Além de ser uma energia renovável e limpa, o professor destaca que com ela é possível reduzir o consumo de eletricidade de uma instalação elétrica em até 95%, pois realizando um levantamento do histórico de consumo da unidade residencial é possível estabelecer a quantidade de placas para suprir 100% do consumo. No entanto, não se pode deixar de levar em consideração que haverá, segundo a legislação vigente, a taxa de disponibilidade da rede que gira em torno de 5%.


“A energia solar é um investimento viável, pois o retorno se dá desde o início da operação e devolve todo o valor investido ao longo do tempo. Esse tempo varia conforme cada projeto. Vale a pena pesquisar sobre o sistema fotovoltaico”, conclui Robmilson Simões Gundim.



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