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O esporte terá que se reinventar após a pandemia

Com tudo parado as expectativas para o marketing esportivo é que tudo volte ao normal somente em 2021.

Jogos estaduais parados, brasileirão sem data para começar. Olimpíadas adiadas. Campeonatos como basquete e vôlei, também tiveram suas competições comprometidas, até mesmo a Formula I foi afetada. Como ficam os patrocinadores? Os clubes sem rendas já começam a mostrar sinais de que a coisa está ficando feia.


O futebol impulsiona milhões de reais em transações e pagamentos milionários a jogadores, sem contar com as cotas televisivas. Em São Paulo a ultima partida do Paulistão foi no dia 16 de março, entre Guarani e Ponte Preta.


No mundo todo há preocupações entre federações, clubes e jogadores com as consequências de voltar às atividades. Em um primeiro momento o retorno das competições deve se dará sem torcida nas arquibancadas, para evitar aglomerações, mas a preocupação continua.


Paralelo as decisões que permanecem em aberto, alguns clubes já iniciam a movimentação de volta aos treinos. Mas há muita controvérsia com relação a volta aos gramados, afinal o contato físico é inevitável.


As federações estaduais não encontram um censo comum. Em São Paulo, a FPF (Federação Paulista de Futebol) espera autorização do governo estadual para pensar em voltar às atividades. Já a FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) discute um plano para voltar a realizar jogos.


Enquanto isso federações e clubes são afetados financeiramente. As janelas de transferência que tradicionalmente movem milhões podem estar comprometidas.

Para falar um pouco sobre esse mercado financeiro e o marketing esportivo que envolve o esporte, conversamos com Jorge Avancini, especialista em Marketing Esportivo e Diretor da Jorge Avancini Marketing & Serviços, eleito duas vezes o Melhor Executivo de Marketing Esportivo do Brasil , em 2012 e 2013, quando estava no Internacional.


Estação i: Com certeza clubes, federações e até atletas já contabilizam perdas em função da paralisação dos campeonatos em todo o mundo. É possível contabilizarmos as perdas envolvidas com essa paralisação?


Jorge Avancini: "Eu acho que as perdas ainda não foram contabilizadas de uma forma bem concreta, bem real. A gente estima, alguns especialistas estimam mais de US$ 10 bilhões de prejuízo, em todo o mundo com essa pandemia, afetando ao esporte, principalmente o futebol por ser um dos esportes mais praticados no mundo. Eu acho que os danos ainda vão ser mensurados a frente porque a incerteza, principalmente aqui no Brasil, da retomada dos campeonatos é muito grande, e nós não conseguimos ainda ter uma dimensão de como isso vai repercutir. Bom, já temos, já estão repercutindo nos clubes a questão financeira, as dificuldades. Muitos clubes encerrando suas atividades, principalmente os clubes de pequeno e médio porte, e os clubes grandes já sinalizando que talvez não tenham recursos para honrar os compromissos daqui a 30 dias, daqui a 40 dias. Então é uma grande duvida e efetivamente essa pandemia pegou todo mundo de surpresa, mas tem um lado positivo, que nós temos que tirar lições disso, nos organizar para evitar para que num futuro ou numa outra crise como essa não venha sofrer como os clubes estão sofrendo, e vão sofrer ainda mais. Mas eu tenho certeza que ainda não se tem um número exato de prejuízo no Brasil, ou no mundo em relação dessa pandemia e o impacto disso no esporte, é muito grande. Basta dizer que uma Olimpíada foi transferida, então, vocês imaginam tudo que envolve a realização de uma olimpíada, e todos os países envolvidos que tiveram que suspender a ida de seus atletas, já com investimentos feitos, investimentos realizados. Uma Formula 1 que ainda não começou, e já estamos em maio, era para estar no meio do campeonato, começando a fase da Europa, e não tem previsão de volta. Lamentável."


Estação i: Para os patrocinadores qual seria a alternativa neste momento?

Jorge Avancini: "Eu diria que para os patrocinadores, neste momento, terem um

Jorge Avancini

engajamento com os seus clientes, com os torcedores, com os sócios dos times que eles patrocinam. Houve muito pouca coisa ou praticamente nada realizado pelas empresas que investem no futebol, no esporte, principalmente de buscar o engajamento dos aficionados, por esse esporte, seja cada clube seja de uma forma geral.


Eu acho que as empresas estão reclamando muito, mas fazendo pouco, algumas já deixando, abandonando seus investimentos, abandonando, cancelando os contratos porque não está tendo a exposição da sua marca. Por sua vez, também, eu acredito que os clubes deveriam propor planos de compensação. E hoje, o que tem na mão é você falar com o torcedor, falar com o sócio, buscar sócios a ter seu engajamento, não só com o clube, mas com as suas marcas, isso aí está lá, isso não tem custo. São as lives, como faz a Estação i, trazendo fatos novos. Muito pouca coisa vejo acontecendo no mercado nacional, no sentido de continuar passando a marca, consolidando a marca e mostrando-a aos consumidores em geral."


Estação i : Nossos clubes sempre lastimam a falta de dinheiro, coo sobreviver em um momento como este em que as dividas acabam se acumulando e o faturamento não entra?


Jorge Avancini: "Tem que ser criativo. Os clubes têm que buscar alternativas. O problema dos clubes, é talvez a falta de planejamento, claro ninguém previa uma pandemia como essa, nessa dimensão, nessa gravidade. Mas provavelmente nenhum clube tem um plano B e um plano de contingência, caso aconteça alguma coisa.


Geralmente os clubes vivem gastando mais do que arrecadam, se endividando mais do que a possibilidade de pagamento. E agora, quando vem uma situação que você já está ai praticamente há sessenta dias sem ter atividades e sem a possibilidade de geração de receita entra em crise, e vai ser pior. Eu acho que quanto mais tempo demorar para voltar, a expectativa que demore ainda, pelo menos mais quinze, vinte ou trinta dias para termos jogos de portão fechado, sem torcida, apenas com transmissões de televisão. Você vai ter que ser criativo. Os clubes vão ter que ser muito criativos. Cortar custos, enxugar suas estruturas. Talvez fazer o tema de casa que nunca fizeram, os clubes estão hoje demitindo. E aí está impactando, claro, o momento errado de fazer demissão agora. Mas difícil você pegar essas demissões, provavelmente muitas já deveriam ter acontecido em outros momentos. Em outras épocas, talvez não no volume que alguns clubes estão apresentando. E hoje, nesse período, sem dúvida, uma demissão em massa com 40, 50, 60 empregados pega muito mal e dá aquela sensação de falta de apoio, principalmente quando você não tem do outro lado dos jogadores uma redução de seus polpudos salários. O futebol é um esporte que tem uma diferença muito grande, abissal entre a remuneração dos atletas e a remuneração do corpo Executivo de quem trabalha do corpo funcional.


E Isso que choca se você botar para a rua 50 colaboradores que ganha em média R$ 2.500 mil, R$ 3 mil reais. E você não mexe no jogador que ganha R$ 500 mil, R$ 600 mil, R$ 700 mil, fica complicado. E quando eu digo ai em mexer, não é demitir, mas apenas reduzir a sua remuneração. Enfim, eu acho que nós temos que aprender com tudo isso, a pandemia, nos trouxe, essas situações que nunca foram pensadas e nunca foram planejadas. Eu acho que isso tem que ser registrado, ir para a historia para que no futuro não se repita, não deixe os clubes mal."


Estação I: Se por um lado temos as equipes, por outro temos os sócios torcedores, que acabam pagando por um “serviço” que não está sendo entregue, como minimizar essa situação?


Jorge Avancini: "Bom essa pergunta é muito difícil para mim, porque eu tenho um pensamento diferente, sobre a questão da relação do sócio com o clube. Eu sou sócio do clube, esse é o meu pensamento.


Eu sou sócio do clube, não para receber um serviço e sim para ajudar meu clube, para que o clube seja competitivo, para que meu clube seja grande, para que o clube possa contratar bons jogadores, montar grandes elencos e disputar campeonatos. O torcedor que se associou ao clube pensando somente na troca do serviço, eu sou sócio para jogo.


Lamentavelmente existe muitos torcedores de muitos clubes que pensam assim. Fica complicado, porque numa situação como essa agora, o que o clube vai fazer? Como eu também eu entendo, é a minha opinião, minha leitura, que um torcedor ele não pode, desde que tenha condições, abandonar o clube nesse momento. Aqueles que tem condições de continuar pagando as suas mensalidades que continuem para que seu clube possa voltar o mais rápido possível de forma mais forte.



Agora alguns clubes estão fazendo algumas coisas, muito pouca coisa está sendo feita no Brasil, mas alguns alguns como fizeram o Ceará, Bahia, o Palmeiras, cada um modelou uma forma de recompensar o seu sócio por esse período sem serviço.


Eu prefiro muito mais o caminho de você entregar conteúdo, de você gerar conteúdo exclusivo, de você buscar o engajamento do teu sócio através de conteúdos que o clube oferece, como conversa com jogador, visitas virtuais, participar de lives e até mesmo buscando junto aos patrocinadores, que eles promovam atividades e ações de relacionamento com o sócio, para que ele perceba que : Pô, eu vou continuar pagando o mesmo nesse momento que ele não tem um jogo, que eu não tenho as partidas da quarta feira e no domingo, mas pela grandeza, pelo amor que eu tenho pelo meu clube e pela forma de estar ajudando o meu clube nesse momento tão difícil.


Essa minha leitura, é a minha opinião. Eu sei que tem gente que discorda do que eu falo. Para mim, a relação do sócio com o Clube é que nem casamento, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Nós vivemos um momento de doença e de tristeza, eu não posso abandonar o meu clube. Se eu tenho condições, tenho que ficar ao lado dele.


Provavelmente alguns clubes poderiam, de alguma maneira, pensar por aqueles associados que sofreram demissões, perderam seus empregos, reduziu sua renda. Flexibilizar o pagamento das mensalidades, e compensar de alguma maneira. Mas na realidade é uma situação muito complicada.Acho que cada um tem que buscar sua formula."

Estação i: Falando mais diretamente sobre o marketing esportivo. Os patrocínios as equipes, em alguns casos foram desfeitos, em outros estão parados. Como empresas patrocinadoras estão sentindo e vendo este momento?


Jorge Avancini: "Eu acho que muito preocupados, muitos suspendendo os patrocínios, já que não tem exposição da sua marca, porque tem esse conceito errado no Brasil, quando uma empresa vai patrocinar um clube, está comprando o espaço publicitário para ver a sua marca na televisão, e muito pouco as empresas patrocinadoras ativam o seu produto. Essa concessão que ele tem, esse direito que ele tem, faz a ativação com os torcedores do clube que ele patrocina.


E é uma medida, que eu acho que tem leituras. O torcedor pode pensar que no momento mais crítico do clube o patrocinador abandonou, deixou, virou as costas, não apoiou. Principalmente quando você fala de empresas que têm estrutura, que tem organização, empresas que tem uma posição muito bem solidificado e que não são aventureiras no mercado.


Nós tivemos recentemente aí o exemplo que começou do azeite Goyal, que patrocina os quatro grandes clubes do Rio, que imediatamente abandonou os clubes naquele momento e que para mim, não tinha tradição nenhuma de apoio ao futebol. E era um patrocinador, que eu chamo de patrocinador de oportunidade, que tira vantagem. Enquanto foi bom, estava ali, no momento que a coisa ficou difícil, ele saiu fora e deixou os clubes sem essa receita e sem ter como repor isso, já que estava tudo parado.


Então eu acho que o momento é de criatividade, tem que ser criativo e buscar alternativas para conseguir de alguma maneira estar presente nessa hora de dificuldade e de incerteza, que não foi causada pelos clubes, veio para todos nós. Se tivesse sido um erro causado por um clube, até concordo que a empresa cancelasse, suspendesse, mas isso não aconteceu."

Estação i: Como vc analisa este momento que estamos passando para o marketing esportivo, que foi atingido não apenas pelo futebol mas pelos esportes, chamados amadores também?


Jorge Avancini: "O momento é muito crítico. Parou tudo. Eu vivo do futebol. Eu faço consultoria, todas as propostas que eu tinha começado a trabalhar no início do ano, algumas que vinham do ano passado, e que vinham sendo discutidas com os clubes, foram suspensas. Tudo foi suspenso, não, não tem o que fazer.Até porque não adianta fechar algum tipo de trabalho que eu nem sei se o clube vai pagar, porque não tem receita.


Então, eu acho que o impacto foi muito grande para os profissionais de marketing esportivo, para os profissionais esportivos como um todo. Em todos os esportes, inclusive nos amadores. Então, se você imagina aqueles esportes, que são os profissionais de alta performance, que muitos que recebem investimentos pesados de patrocinadores nacionais e internacionais, todo mundo está se repensando, alguns se encolhendo. Imagina então o amador. O amador, coitado.


Vai ter um longo caminho de recuperação e a coisa não é para recuperar daqui dois meses três meses, quatro meses. Vai ser coisa de talvez um, dois anos para você voltar a situação que estava quando começou essa questão da pandemia lá no final de janeiro, fevereiro e, mais fortemente a partir do dia vinte de março, aqui no Brasil, quando começou o isolamento social, então, o impacto é muito grande, afetou todos.


Infelizmente, eu sou um que estou perdendo muitas oportunidades, deixando de fazer muitos trabalhos em função dessa situação de participação, de congresso, de palestra de consultoria, enfim, todo mundo perdeu um pouco. É o momento de se reinventar, se readequar, repensar como será daqui pra frente."

Estação i: Por favor, quais seriam suas considerações sobre nosso panorama atual e futuro?


Jorge Avancini: "O panorama é terrível, ele é incerto. Não sabemos como vai voltar, quando vai voltar e de que maneira vai voltar às atividades. Se você consegue buscar de volta os patrocinadores que te deixaram. Como é que você vai manter a relação com seu sócio, com teu torcedor, com os veículos?


Então é um cenário muito complicado, não tem hoje uma bola de cristal que te dê solução, o que a gente sabe é que atingiu em cheio essa atividade. Atividade dos esportes no mundo inteiro, como atingiu toda e qualquer outra atividade.


Mas o nosso tema, aqui é o esporte, mas todos foram afetados, todos, indistintamente.

Não pode se dizer um foi mais outro e outros menos, todos fora afetados. E na realidade, eu sei que os clubes estão se reunindo internamente, montar suas comissões de crise, estão tentando buscar alternativas para sobreviver, para se manter e para voltar com mais fortalecidos, não financeiramente, mas fortalecido a nível de ter menos perdas de suas estruturas, dos seus profissionais, dos seus atletas. Mas é extremamente inseguro.


Eu mesmo, voltando aqui ao meu caso que é consultoria, provavelmente os projetos que estava negociando, que vinha conversando em janeiro e fevereiro ele já não aconteçam mais este ano, mesmo que volte em agosto, não vai acontecer. Provavelmente é uma leitura, não é pessimista, é realismo, é a realidade.


E tem uma coisa muitos clubes no Brasil, principalmente os clubes de futebol, eu diria que 50% dos clubes da Série A e B tem processo eleitoral, agora no segundo semestre deste ano.

Então é pior ainda porque você sai de uma pandemia lá em julho, agosto e já muitos clubes começam a entrar no seu processo eleitoral. Que naturalmente, para tudo.


Então o cenário para quem depende disso, para quem fornece serviço para quem trabalha com isso, na minha leitura, ele vai começar a mostrar sinais de normalidade lá por março, abril de 2021. Até porque este ano daqui a pouco vem Natal, Ano novo. Depois vem Retomada das férias, vem carnaval. E como a gente sabe, aqui no Brasil as coisas começam, sempre depois do Carnaval.


Tomara que até pelo menos dezembro a gente já tenha um controle maior sobre a pandemia, e quem sabe até uma vacina, embora ainda é muito prematuro que permita que a gente volte a ter atividade normal.


Eu acho que todas as atividades vão ter que ser repensar. Todas, bares, restaurantes, cinemas, teatros, tudo. Tá todo mundo sem ter o que fazer. É lamentável, mas por outro lado, temos que tirar grandes lições e disso ai tudo. E, como digo, nos reinventarmos e sairmos, de alguma maneira, mais fortalecidos e, ser criativo, muito criativo para conversar com o cliente, com o consumidor, com o torcedor, com um sócio que também está sem dinheiro porque esta não perdeu o emprego porque as suas receitas diminuíram o por estar fazendo uma situação de contingencia, economizando gastando menos.


Uma coisa é certa: Não vai ser mais igual como era. Todos nós mudamos. As lives são prova disso, o volume de material de conteúdo. A gente consolidou as redes sociais, a validade, a importância, estamos reaprendendo a trabalhar, reaprendendo a nos divertir. O Streaming, está nos oferecendo muito serviço, muita qualidade de entretenimento.

É um novo caminho. Um novo futuro. Espero que a gente volte rápido."


Para saber um pouco mais sobre Jorge Avancini , ou entrar em contato:

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